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1.
Seja claro, preciso, direto, objetivo e conciso. Use frases
curtas e evite intercalações excessivas ou ordens inversas desnecessárias. Não
é justo exigir que o leitor faça complicados exercícios mentais para
compreender o texto.
2.
Construa períodos com no máximo duas ou três linhas de 70 toques. Os
parágrafos, para facilitar a leitura, deverão ter cinco linhas datilografadas,
em média, e no máximo oito. A cada 20 linhas, convém abrir um intertítulo.
3.
Adote como norma a ordem direta, por ser aquela que conduz mais
facilmente o leitor à essência do tema enfocado. Dispense os detalhes
irrelevantes e vá diretamente ao que interessa, sem rodeios.
4.
A simplicidade do texto não implica necessariamente repetição de
formas e frases desgastadas, uso exagerado de voz passiva (será iniciado,
será realizado), pobreza vocabular, etc. Com palavras conhecidas de todos,
é possível escrever de maneira original e criativa e produzir frases
elegantes, variadas, fluentes e bem alinhavadas. Nunca é demais insistir: fuja,
isto sim, dos rebuscamentos, dos pedantismos vocabulares, dos termos técnicos
evitáveis e da erudição.
5.
Não comece períodos ou parágrafos seguidos com a mesma palavra, nem
use repetidamente a mesma estrutura de frase.
6.
No trabalho acadêmico deve-se pautar pelo meio-termo entre a linguagem
literária e a falada. Por isso, evite tanto a retórica e o hermetismo como a gíria,
o jargão e o coloquialismo.
7.
Em qualquer ocasião, prefira a palavra mais simples: votar é
sempre melhor que sufragar; pretender é sempre melhor que objetivar,
intentar ou tencionar; voltar é sempre melhor que regressar
ou retornar; tribunal é sempre melhor que corte; passageiro
é sempre melhor que usuário; eleição é sempre melhor que pleito;
entrar é sempre melhor que ingressar.
8.
Só recorra aos termos técnicos absolutamente indispensáveis e
nesse caso coloque o seu significado entre parênteses. Você já pensou que até
há pouco se escrevia sobre juros sem chamar índices, taxas e níveis de patamares?
Que preços eram cobrados e não praticados? Que parâmetros equivaliam
a pontos de referência? Que monitorar correspondia a acompanhar ou
orientar?
9.
Procure banir do texto os modismos e os lugares-comuns. Você
sempre pode encontrar uma forma elegante e criativa de dizer a mesma coisa sem
incorrer nas fórmulas desgastadas pelo uso excessivo. Veja algumas: a nível
de, deixar a desejar, chegar a um denominador comum, transparência, instigante,
pano de fundo, estourar como uma bomba, encerrar com chave de ouro, segredo
guardado a sete chaves, dar o último adeus. Acrescente as que puder a esta
lista.
10.
Dispense igualmente os preciosismos
ou expressões que pretendem substituir termos comuns, como: causídico,
Edilidade, soldado do fogo, elenco de medidas, data natalícia, primeiro mandatário,
chefe do Executivo, precioso líquido, aeronave, campo-santo, necrópole, casa
de leis, petardo, fisicultor, Câmara Alta, etc.
11.
Proceda da mesma forma com as palavras e formas empoladas ou
rebuscadas, que tentam transmitir ao leitor mera idéia de erudição. Um
trabalho acadêmico não precisa determos como tecnologizado, agudização,
consubstanciação, execucional, operacionalização, mentalização,
transfusional, paragonado, rentabilizar, paradigmático, programático,
emblematizar, congressual, instrucional, embasamento, ressociabilização,
dialogal, transacionar, parabenizar e outros do gênero. (Neste caso, é bom
sempre verificar se o orientador aprova ou não essas formas).
12.
Não perca de vista o universo vocabular do leitor. Adote esta regra prática:
nunca escreva o que você não diria. Assim, alguém rejeita (e não declina
de) um convite, protela ou adia (e não procrastina)
uma decisão, aproveita (e não usufrui) uma situação. Da mesma
forma, prefira demora ou adiamento a delonga; antipatia a
idiossincrasia; discórdia ou intriga a cizânia; crítica
violenta a diatribe; obscurecer a obnubilar, etc.
13.
Termos
coloquiais ou de gíria
deverão ser usados com extrema parcimônia e apenas em casos muito especiais
(nos diálogos, por exemplo), para não darem ao leitor a idéia de vulgaridade
e principalmente para que não se tornem novos lugares-comuns. Como, por
exemplo: a mil, barato, galera, detonar, deitar e rolar, flagrar, com a corda
(ou a bola) toda, legal, grana, bacana, etc.
14.
Seja rigoroso na escolha das palavras do texto. Desconfie dos sinônimos
perfeitos ou de termos que sirvam para todas as ocasiões. Em geral, há uma
palavra para definir uma situação.
15.
Procure dispor as informações em ordem decrescente de importância
(princípio da pirâmide invertida), para que, no caso de qualquer necessidade
de corte no texto, os últimos parágrafos possam ser suprimidos, de preferência.
16.
Encadeie o lead de maneira suave e harmoniosa com os parágrafos
seguintes e faça o mesmo com estes entre si. Nada pior do que um texto em que
os parágrafos se sucedem uns aos outros como compartimentos estanques, sem
nenhuma fluência: ele não apenas se torna difícil de acompanhar, como faz a
atenção do leitor se dispersar no meio do texto.
17.
Por encadeamento de parágrafos não se entenda o cômodo uso de vícios
lingüísticos, como por outro lado, enquanto isso, ao mesmo tempo, não
obstante e outros do gênero. Busque formas menos batidas ou simplesmente as
dispense: se a seqüência do texto estiver correta, esses recursos se tornarão
absolutamente desnecessários.
18.
O recurso à primeira pessoa só se justifica, em geral, nas crônicas.
Utilize sempre a terceira pessoa.
Texto adaptado de: Manual de Redação e Estilo – O
Estado de S. Paulo
http://www.estado.estadao.com.br/redac/manual.html
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